
Quando o pedido de ajuda chega tarde demais?
"O liderado tem responsabilidade de pedir ajuda? O líder não enxerga ou não quer enxergar? Estranho."
Foi uma pergunta que encontrei hoje no Linkedin em uma conversa sobre burnout.
E ela ficou comigo.
Porque talvez a questão não seja escolher entre uma responsabilidade ou outra.
Talvez seja necessário olhar para o intervalo que existe antes do pedido de ajuda.
Recentemente, ouvi o relato de uma cliente que chegou ao meu consultório virtual depois de viver uma situação de extremo esgotamento no trabalho.
Ela já vinha cometendo erros por falta de atenção.
O volume de trabalho havia ultrapassado sua capacidade de dar conta.
Até que, diante da exaustão, chorou no trabalho.
Foi naquele momento que seu diretor percebeu a gravidade da situação e a aconselhou a procurar ajuda psicológica.
É importante reconhecer isso:
o líder agiu.
Ele percebeu um sinal.
Ele acolheu.
Ele orientou.
Mas uma pergunta permaneceu comigo:
Será que precisamos chegar ao choro para que alguém consiga perceber que não está mais conseguindo?
Talvez o pedido de ajuda não comece quando alguém diz:
"Eu preciso de ajuda!"
Talvez ele comece muito antes.
No erro que se repete.
Na atenção que diminui.
Na pessoa que deixa de perguntar.
Na ideia que já não é compartilhada.
No profissional que começa a dizer "está tudo bem" quando claramente alguma coisa deixou de estar.
E talvez exista um momento ainda mais silencioso:
aquele em que a própria pessoa percebe que alguma coisa mudou...mas ainda não sabe se pode falar sobre isso.
É justamente esse intervalo que me interessa investigar.
Porque, quando finalmente o pedido de ajuda aparece, talvez a história já tenha atravessado várias etapas invisíveis.
E então volto à pergunta que vem acompanhando minha pesquisa:
Em que momento uma pessoa aprende que permanecer em silêncio é mais seguro do que transformar aquilo, que percebe, em ação?
Talvez essa pergunta também precise ser feita aos ambientes onde trabalhamos.
Não apenas:
"Por que ele não pediu ajuda?"
Mas também:
"O que aconteceu antes para que ele precisasse chegar a esse ponto?"
Entre perceber e agir, existe um intervalo. C. Hölter, Ph.D
E talvez seja justamente ali que exista uma das maiores oportunidades de prevenção.
