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10 de agosto de 2026
Entre Perceber e Agir | Reflexão #003

Quando o pedido de ajuda chega tarde demais?


"O liderado tem responsabilidade de pedir ajuda? O líder não enxerga ou não quer enxergar? Estranho."


Foi uma pergunta que encontrei hoje no Linkedin em uma conversa sobre burnout.

E ela ficou comigo.

Porque talvez a questão não seja escolher entre uma responsabilidade ou outra.

Talvez seja necessário olhar para o intervalo que existe antes do pedido de ajuda.


Recentemente, ouvi o relato de uma cliente que chegou ao meu consultório virtual depois de viver uma situação de extremo esgotamento no trabalho.

Ela já vinha cometendo erros por falta de atenção.

O volume de trabalho havia ultrapassado sua capacidade de dar conta.

Até que, diante da exaustão, chorou no trabalho.

Foi naquele momento que seu diretor percebeu a gravidade da situação e a aconselhou a procurar ajuda psicológica.


É importante reconhecer isso:

o líder agiu.

Ele percebeu um sinal.

Ele acolheu.

Ele orientou.


Mas uma pergunta permaneceu comigo:

Será que precisamos chegar ao choro para que alguém consiga perceber que não está mais conseguindo?


Talvez o pedido de ajuda não comece quando alguém diz:

"Eu preciso de ajuda!"


Talvez ele comece muito antes.

No erro que se repete.

Na atenção que diminui.

Na pessoa que deixa de perguntar.

Na ideia que já não é compartilhada.

No profissional que começa a dizer "está tudo bem" quando claramente alguma coisa deixou de estar.


E talvez exista um momento ainda mais silencioso:

aquele em que a própria pessoa percebe que alguma coisa mudou...mas ainda não sabe se pode falar sobre isso.

É justamente esse intervalo que me interessa investigar.

Porque, quando finalmente o pedido de ajuda aparece, talvez a história já tenha atravessado várias etapas invisíveis.


E então volto à pergunta que vem acompanhando minha pesquisa:

Em que momento uma pessoa aprende que permanecer em silêncio é mais seguro do que transformar aquilo, que percebe, em ação?


Talvez essa pergunta também precise ser feita aos ambientes onde trabalhamos.

Não apenas:

"Por que ele não pediu ajuda?"


Mas também:

"O que aconteceu antes para que ele precisasse chegar a esse ponto?"


Entre perceber e agir, existe um intervalo. C. Hölter, Ph.D


E talvez seja justamente ali que exista uma das maiores oportunidades de prevenção.