
Hoje milhões de brasileiros vão viver exatamente a mesma emoção.
Durante alguns minutos...
não importa a profissão.
Nem a idade.
Nem a cidade.
Nem a posição social.
Todos estaremos olhando para a mesma partida.
Esperando o mesmo gol.
Prendendo a respiração diante da mesma oportunidade.
Talvez seja justamente por isso que a Copa do Mundo desperte algo tão profundo.
Porque ela nos lembra que existem momentos em que uma possibilidade muda completamente o rumo da história.
Mas essa reflexão me fez pensar em outra pergunta.
Quantas oportunidades passam diante de nós todos os dias...
...e permanecem invisíveis?
Na arquibancada, ninguém pede licença para torcer.
As pessoas cantam.
Gritam.
Abraçam desconhecidos.
Celebram.
Mas, na vida profissional, muitas vezes acontece o contrário.
A ideia permanece na cabeça.
A pergunta não é feita.
O pedido de ajuda não acontece.
O feedback é adiado.
A inovação fica apenas no pensamento.
É curioso perceber como somos capazes de manifestar tanta emoção quando acreditamos que fazemos parte de algo maior.
E como, em outros contextos, o silêncio pode ocupar exatamente esse mesmo espaço.
Há alguns anos venho pesquisando o Silêncio como Dado Social Ativo®.
Cada vez mais tenho a impressão de que o silêncio nem sempre representa ausência de ideias, de compromisso ou de vontade.
Muitas vezes, ele parece marcar aquele instante quase invisível em que uma pessoa percebe uma possibilidade...
...mas ainda não consegue transformá-la em ação.
Talvez seja justamente nesse pequeno intervalo que estejam algumas das perguntas mais importantes sobre o comportamento humano.
Hoje vou torcer pelo Brasil.
Mas também vou continuar observando aquilo que o futebol revela sobre nós mesmos.
Porque, antes de cada gol...
existe um instante.
Antes de cada decisão...
também.
Tenho a impressão de que muitos dos momentos mais importantes da nossa vida acontecem justamente nesse espaço invisível entre perceber uma possibilidade e decidir agir.
— Claudia Hölter
Pesquisadora do comportamento humano
